Autor: Carlos António Coa
Instituição: Ceicin, Imetro
Data: 13/04/2026
Resumo:
Este artigo analisa as respostas institucionais e as políticas públicas implementadas
pelo Governo angolano face às manifestações de julho de 2025 em Luanda,
interpretando-as no quadro mais amplo da economia política contemporânea. O
objectivo consiste em compreender as tensões entre crescimento económico e justiça
distributiva, identificando as suas causas estruturais, bem como propor alternativas
para um modelo de desenvolvimento inclusivo orientado à justiça económica.
Metodologicamente, recorreu-se a uma abordagem qualitativa, exploratória e
propositiva, sustentada em pesquisa bibliográfica e documental, análise crítica de
discursos oficiais e confronto com experiências internacionais relevantes. Foram
mobilizados referenciais teóricos clássicos (Hobbes, Smith, Polanyi) e contemporâneos
(Sen, Stiglitz, Piketty), bem como contribuições de pesquisadores angolanos,
nomeadamente Paxe e Brás, articulados com dados contextuais e evidências
empíricas. Como resultado, propõe-se o Modelo ACE (Angola – Crescimento com
Equidade), um enquadramento inovador que integra oito proposições estratégicas,
distribuídas em três eixos: institucionalização inclusiva, ampliação do capital humano e
diversificação produtiva com justiça distributiva. Conclui-se que a superação das crises
cíclicas de tensão social em Angola exige reformas estruturais baseadas na
concertação social, na modernização do sistema educativo, na formalização gradual da
economia informal e na implementação de políticas redistributivas robustas, articulando
crescimento económico com inclusão social e justiça distributiva.