Observatório do Petróleo
ANGOLA BENEFICIOU DE UMA INESPERADA BONANÇA PETROLÍFERA NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Autor: CEICin, Iº trimestre de 2026

Data: 24/06/2026

Resumo:
No primeiro trimestre de 2026, Angola registou uma produção total de 31,782 MMBBS em Março, média de 1,025 MBPD, com aumento de 12,88% face a Fevereiro. A produção acumulada em Fevereiro foi de 28,156 MMBBS e em Janeiro de 32,310 MMBBS. A média diária exportada no trimestre foi de 982.451 barris, inferior em 74.128,5 barris/dia à média do 1T-2025 (1.056.579,3 barris/dia). O preço médio de exportação do petróleo angolano atingiu 103,9 USD por barril em Março, contra 66,8 USD em Janeiro e 71,2 USD em Fevereiro, superando em 42,9 USD o preço médio de 61 USD previsto no Orçamento Geral do Estado para 2026. As receitas fiscais do trimestre totalizaram 2.050 milhões USD, com queda de 185,6 milhões USD face ao período homólogo. As Reservas Internacionais sob gestão do BNA reduziram-se 3% no trimestre (477 milhões USD), passando de 15,9 mil milhões em Dezembro para 15,4 mil milhões em Março, devido a um empréstimo de 500 milhões USD do BNA ao Governo para cobrir parte do défice orçamental. A estrutura do mercado de distribuição e comercialização manteve-se concentrada: Sonangol com 60,8%, Pumangol (21,3%), Sonangalp (8,0%), TotalEnergies (7,2%) e Etu Energias (2,7%). O petróleo Brent ultrapassou os 100 USD/barril e atingiu 117,53 USD em 9 de Março, reflectindo o temor do mercado com interrupções na produção e transporte no Médio Oriente, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo transportado por navios no mundo. A crise actual foi classificada pela AIE como mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas. Os países-membros da AIE concordaram em liberar parte das reservas estratégicas de petróleo. A produção da OPEP caiu 7,2 MBPD em Março, para 21,57 MBPD, o nível mais baixo desde Junho de 2020. Os maiores cortes ocorreram no Iraque (de 4,15 MBPD para 1,4 MBPD), Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Venezuela e Nigéria foram as únicas a registar aumento. Os principais destinos de exportação do petróleo bruto angolano foram: China (55,63%), Índia (16,31%), Indonésia (5,75%) e França (4,17%). Do total exportado, 18,85% corresponde à ANPG e 20,14% à Sonangol. Entre as internacionais, destacam-se Azule Energy (14,53%), TotalEnergies (11,69%), Equinor (9,94%) e Esso (9,04%). A OPEP manteve as previsões de crescimento da procura mundial em 3,1% para 2026 e 3,2% para 2027, com consumo estimado em 106,5 milhões de barris diários em 2026 e 107,8 milhões em 2027, impulsionado por China, Índia e actividade industrial fora da OCDE. Os principais acontecimentos que dominaram o mercado incluem: liberação recorde de 400 MMBBLS das reservas estratégicas pela AIE; Brent acima dos 100 USD/barril; e queda de 7,2 MBPD na produção da OPEP.